Hoje foi um dia típico, e um dia típico para mim é um desses que começa com um bom debate com um professor universitário que posta contra vacinas e me manda pesquisar usando como base "científica" um site obscuro de internet, ou mais especificamente um blog que tenta inocular um vírus em quem o visita...como um professor universitário chega num blog desses?
Meu dia típico segue com várias leituras para concurso, dentre elas alguns autores para com os quais o meu respeito é pouco, ou melhor, quase nenhum, mas que conseguem me surpreender negativamente mais que o esperado com afirmações do tipo "[A] filosofia não contempla, não reflete, não comunica..." E o que mais surpreende é que estou lendo esse livro especificamente porque praticamente todos os autores atuais que tratam de ensino de filosofia o citam...então, não fica tão difícil explicar a decadência educacional com exemplos assim.
E segue o dia, seguem as leituras, segue a vida.
Visita a universidade a tarde. Imprimir e encadernar arquivos longos, ver livros, checar reservas nessa vida de consumidor bibliófilo tendo por trás uma infindável lista que envolve clássicos, estudos temporários, efêmeros títulos com função curta e específica que provavelmente nunca mais serão consultados...ajudar os amigos demorando mais a chegar em casa para quebrar um galho.
E finalmente em casa recomeçam debates, agora acerca de uma afirmação que me pareceu absurda e carregada de ideologia sobre porcentagens de servidores estatais e fatos relacionados...nunca deixo essas coisas passarem, deve ser algum tipo de compulsão para não permitir "injustiças" argumentativas ou outra doença cognitiva rara.
Enquanto isso, os grandes assuntos, os mais interessantes, são debatidos a "vomitadas" argumentativas numa guerra de discurso sem fim, recheada de maneirismos, reacionarismos, ideologismos e o onipresente politicamente correto. O problema dessa coisa toda é que um debate se desfaz em gritaria e xingamentos.
Por falar em debate, amanhã volto por aqui e falarei sobre debate a partir de um texto do meu amigo, o filósofo português, professor da UFOP, Desidério Murcho, sobre o assunto.
Até.
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