quarta-feira, 5 de agosto de 2015

GOVERNO DILMA - Uma breve análise da conjuntura



O PT no governo é apenas mais um partido se locupletando da coisa pública. Segue então uma breve análise do momento atual.

Tentaremos responder o que ocorre agora com o PT e como ele resiste a isso.

O partido está há 13 anos no poder e entrou profundamente na cultura política do país tanto que não há partido que hoje represente melhor nossa herança de patrimonialismo e corrupção que tem já cerca de 500 anos.

O fato de suportar o ataque das forças organizadas e parte da mídia se deve a três fatores essenciais:

1º Fator – O PT é um partido com uma base social consolidada e como conseqüência disso possui considerável quantidade de deputados e senadores, bem como de deputados estaduais, vereadores, governadores e prefeitos.
Por base social chamo os conjuntos organizados da sociedade e não apenas voto popular, ou seja, sindicatos, organizações não governamentais, centrais sindicais, associações diversas (de moradores, artistas etc.), entidades estudantis e outras.

2º Fator – Manteve um predomínio político, mesmo que  fraco,  conseguindo garantir uma aliança com parcela significativa do PMDB, ou seja, o PT fez uma ampla e fisiológica distribuição de poder, orçamento e vontade e ainda a refez em momento crítico, primeiro por meio de distribuição de ministérios e cargos, no momento da composição governamental, e depois, entregando parcela do poder “quase real” que tem o governo central, no caso da nomeação de Temer para a articulação política.

3º Fator – último, mas não menos importante, a “entrega” de enorme parcela do poder econômico a uma força que teria poder, mesmo agindo à revelia e contra o governo, de derrubá-lo. Dilma deu aos banqueiros tudo de que necessitavam: o comando de política econômica ao nomear seu arauto, Joaquim Levy, e ainda, todo o lucro que tanto gostam e necessitam.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Educação e Projeto Geopolítico

A possibilidade de um projeto geopolítico andar descolado de desenvolvimento nacional, industrial, econômico em geral, é bem pequena, a possibilidade que qualquer dessas coisas ocorra sem um projeto geopolítico e sem um  projeto educacional também é nula. A relação entre geopolítica, desenvolvimento nacional e educação é dialética no sentido platônico, se dá por complemento e proximidade. 



A não percepção dessa relação pela classe política, elite econômica e elite intelectual dirigente, ela existe, não permite uma ascensão do Brasil nem mesmo na liderança da América do Sul, onde tem sofrido reveses por parte de países menores e "menos poderosos".



É preciso um esforço integrado e geral em vários campos para realizar um projeto de nação que faça o Brasil avançar como player no jogo internacional. É preciso ampliar o poder de defesa, e ataque, em termos militares. É preciso constituir uma marinha mercante que possa escoar os produtos da futura base industrial que precisa ser reestruturada e construída.

Para cada coisa que precisa ser feita é preciso uma educação que promova a geração dos que vão realizar. É preciso gerar engenheiros, cientistas, administradores e outros para conduzir o projeto. É preciso ter gente que saiba operar em cada área para que se desenvolva, ou seja, não basta formar dirigentes interessados, é preciso dirigidos, marinheiros, operadores de máquina, empregados administrativos e de limpeza, enfim, todo o corpo necessário.



Enfrentar as ideologias é o mais difícil nesse processo.

A partir desse post vamos trabalhar em cada questão em específico acerca do que fazer para sair de onde estamos para onde queremos. A ideia é ir investigando as necessidades, traçando rumos, elaborando soluções, bem como encontrando soluções elaboradas por outros e lincá-las a esse projeto.

Espero que acompanhem, comentem, deem sugestões para que esse seja um espaço de debate livre e construtivo.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sobre um método de ler

Sobre o método CPLAT, é um método para leitura de manuais, mas pode servir para qualquer leitura, segue uma livre adaptação a partir do apêndice do livro "Ensinar na Universidade", de Markus Brauer.



CPLAT são as letras de Conjunto, Perguntas, Leitura, Auto-narração e Teste, respectivamente. O método consiste em:

Conjunto - É preciso ter uma visão de conjunto do texto a ser lido que pode ser obtida lendo um resumo do texto, o sumário, parágrafos escolhidos folheando aqui e ali em partes do início, meio e final do livro, artigo ou capítulo, a depender no tamanho e do tempo a ser dispendido, uma leitura rápida de todo o texto pode ser ideal.

A etapa PLA, ou seja perguntas, leitura e auto-narração deve ser feita a cada capítulo, se possível em cada subtítulo de cada capítulo.

Perguntas - Consiste em elaborar questões sobre a leitura, pode ser feito, por exemplo, por meio da transformação de títulos e subtítulos em questões. Essas perguntas devem ser elaboradas com o objetivo de serem respondidas nas etapas seguintes.

Leitura - Esta etapa deve ser ativa e investigativa. O objetivo é buscar no texto a resposta de todas as questões aventadas no item anterior. O texto deve ser lido minuciosamente, além de respostas para questões deve-se buscar reconhecer, reconstruir ou construir os argumentos fundamentais do texto, verificar as questões empíricas levantadas e se levam as conclusões do autor, se possível fazer comparações com conhecimentos adquiridos anteriormente.

Auto-narração - É o ato de recontar para si o lido, o apreendido. Significa recontar o texto a partir da memória buscando relembrar a estratégia argumentativa, os passos de prova ou comprovação do argumento, a estrutura demonstrativa em suas várias etapas. Trata-se de relembrar o texto em detalhes, recontá-lo com suas palavras, refazer o caminho empírico ou racional envolvido na elaboração e pode ser feito em voz alta para si, depois pode ser escrito como resumo ou resenha.

Teste - É a última etapa. Consiste na elaboração de um conjunto de questões sobre o texto, pode ser feito um dia depois da leitura. Depois de elaboradas as questões, respondê-las de memória. Após responder consultar o texto novamente para verificar a correção das respostas, para complementar as mesmas numa espécie de revisão ampliativa, e caso tenha errado, corrigir as respostas fazendo uma auto recuperação.

Creio que é um bom método de leitura, É um método ativo de aquisição de conhecimentos. Como é feito em poucas etapas, pode ser de excelente uso para qualquer tipo de material que se queira ler. É bom que seja complementado com outras técnicas de estudo ativo, como sublinha e anotações no próprio texto, geração de documentação de leitura por meio de fichamentos etc.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Debate e sociedade

Muita coisa acontecendo, tudo junto, é debate por cima de gritaria, gritaria sufocando debate...

Um debate efetivo precisa reunir certo conjunto de características, ou melhor, obedecer certos princípios para não degenerar em gritaria, para alcançar seu objetivo fundamental que é, ou chegar a verdade, independente do que ela seja, no sentido socrático de "seguir o argumento para onde ele levar", ou nos deixar melhor informados, ampliar nosso conhecimento, acerca de um assunto.

Há alguns anos meu amigo, o filósofo português Desidério Murcho, os enumerou num texto fantástico de nome "Filosofia, lógica e democracia". Para ele os princípios são:

1. Respeitar e ouvir as pessoas que discordam de nós.
2. Estar disponível para mudar de ideias se nossos argumentos não resistirem à discussão.
3. Não mudar de assunto sem discutir plenamente aquele que está em debate.
4. Distinguir o central e relevante do que é periférico e acessório.
5. Não usar qualquer espécie de ataque pessoal.
6. Dominar aspectos elementares da lógica informal.
7. Conhecer a bibliografia relevante.
8. Pensar de maneira razoavelmente sistemática sobre o assunto.

Como se vê alguns dos princípios são pra hora do debate, outros pra antes dele. Ambos os tipos são de extrema importância. É fundamental se preparar bem para o que se quer debater elaborando seus argumentos a partir da leitura dos textos fundamentais sobre o assunto, ou seja, seguir os três últimos princípios, bem como comportar-se civilizadamente ouvindo ao opositor, respeitando seu direito de ter as opiniões que tem, apresentar-se firmemente nas suas posições com a legítima disposição de trocar de ideias se perceber a falsidade de sua própria posição etc.

Entretanto, não é o que vemos em debates fundamentais como os que se dão sobre redução da maioridade penal, lei do desarmamento, corrupção, entre outros. O que se vê é que os detentores das posições "de esquerda" criminalizam as posições contrárias mesmo que sejam defendidas por filiados a partidos da esquerda e ainda pior se não forem.

Para citar o exemplo da questão da maioridade penal. Qualquer um que não seja contra a redução é imediatamente taxado de "fascista", "conservador" ou "liberal". Tais denominações não são entretanto nomes de posicionamentos políticos, mas xingamentos pessoais que podem ser traduzidos por criminoso, bandido, canalha...

E a pessoa que quer apenas o direito a ter a opinião que não há bons argumentos que permitam que um sujeito com 16 ou mais anos, mas menos que 18, estupre ou mate uma pessoa, geralmente com requintes de crueldade, e fique sem punição, não consegue entender porque seria um criminoso ele próprio que não fez nada disso.

Assim, um debate que poderia avançar os argumentos das duas posições, colocá-las sobre escrutínio crítico, é transformado em enorme gritaria e numa guerra de posições em que não há ganhadores, em que todos perdem.

E isso, entre outros fatores, é resultado de falta de educação, não que faltem escolas ou pessoas nelas.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Estudar é preciso...

Ter uma vida de estudos envolve entre outras coisas uma certa afinidades com livros e leitura...


Isso significa que tê-los por perto, compreender sua natureza, lê-los, está entre as obrigações da vida escolhida.

Ler é uma palavra com muitos significados, Adler, em seu seu livro Como Ler Livros, aponta três...



1. Ler é divertir-se. Ou seja, pegar um romance ou livro de contos para se distrair sem outras preocupações.
2. Ler é informar-se. Traduzindo, significa usar um jornal ou revista para saber o que está acontecendo.
3. Por fim, ler é estudar, formar-se. Usar livros, artigos e outros para ampliar seus conhecimentos acerca do mundo, de si, das pessoas.

Pode-se encontrar outras acepções, obviamente:

4. Decodificar signos linguísticos impressos numa folha.
5. Obter de um texto significados elementares das palavras nele escritas.
6. Retirar de textos tudo que neles há para ser apreendido.

Para ter uma vida de estudos, uma vida intelectual ler terá que significar sempre 3 e 6 e essa é a parte que não é engraçada...mas não basta ler, não é só isso. É necessário escrever em vários sentidos também. É preciso escrever bibliografias, anotar datas, dados, produzir resenhas, artigos...seria a parte chata. E o fundamental, aquilo sem o qual nada funciona, é preciso pensar. Essa é a parte que dói.

Pensar é fundamental, pensar faz parte do ler, do escrever e de sua própria parte. Não dá pra ler sem pensar, é impossível escrever sem pensar. Mas é possível pensar pouco ao ler e ao escrever, vemos isso o tempo todo. Pensar bem, com profundidade e vagar, com rigor e radicalidade não parece ser pra qualquer um, pelo menos não é para pessoas que se acostumaram à preguiça cognitiva, a buscar as soluções mais fáceis e tranquilas, essas passam a maior parte do tempo copiando, seja com os famosos recursos do computador, seja por meio da digitação paciente de textos completos. Mas esses não podem realmente dizer que tem uma vida de estudos, não acham?

E assim fechamos nossas habilidades da vida de estudo que precisam ser exercitadas, desenvolvidas, nunca interrompidas, ler, escrever e pensar. Não é engraçado, é chato e dói...mas tem seus prazeres e compensações. É indescritível encontrar o significado daquela frase em que se passa horas preso buscando por isso, é fantástico ver seu trabalho citado, dentre outros estranhos fenômenos capazes de ser traduzidos em felicidade ou interpretados como sucesso.

Por fim, quem se dedica a vida de estudos acha que isso vale a pena. Meu caso! E o seu?

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Dia a dia...

Hoje foi um dia típico, e um dia típico para mim é um desses que começa com um bom debate com um professor universitário que posta contra vacinas e me manda pesquisar usando como base "científica" um site obscuro de internet, ou mais especificamente um blog que tenta inocular um vírus em quem o visita...como um professor universitário chega num blog desses?

Meu dia típico segue com várias leituras para concurso, dentre elas alguns autores para com os quais o meu respeito é pouco, ou melhor, quase nenhum, mas que conseguem me surpreender negativamente mais que o esperado com afirmações do tipo "[A] filosofia não contempla, não reflete, não comunica..." E o que mais surpreende é que estou lendo esse livro especificamente porque praticamente todos os autores atuais que tratam de ensino de filosofia o citam...então, não fica tão difícil explicar a decadência educacional com exemplos assim.

E segue o dia, seguem as leituras, segue a vida.

Visita a universidade a tarde. Imprimir e encadernar arquivos longos, ver livros, checar reservas nessa vida de consumidor bibliófilo tendo por trás uma infindável lista que envolve clássicos, estudos temporários, efêmeros títulos com função curta e específica que provavelmente nunca mais serão consultados...ajudar os amigos demorando mais a chegar em casa para quebrar um galho.

E finalmente em casa recomeçam debates, agora acerca de uma afirmação que me pareceu absurda e carregada de ideologia sobre porcentagens de servidores estatais e fatos relacionados...nunca deixo essas coisas passarem, deve ser algum tipo de compulsão para não permitir "injustiças" argumentativas ou outra doença cognitiva rara.

Enquanto isso, os grandes assuntos, os mais interessantes, são debatidos a "vomitadas" argumentativas numa guerra de discurso sem fim, recheada de maneirismos, reacionarismos, ideologismos e o onipresente politicamente correto. O problema dessa coisa toda é que um debate se desfaz em gritaria e xingamentos.

Por falar em debate, amanhã volto por aqui e falarei sobre debate a partir de um texto do meu amigo, o filósofo português, professor da UFOP, Desidério Murcho, sobre o assunto.

Até.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Breve nota acerca de avaliação com complemente sobre o documento da SAE


Por Dídimo Matos

À leitura dos autores clássicos da Educação, com exceção de algum tipo para Luckesi, a impressão que se tem nalguns momentos é de que foi um texto escrito por Lênin para o desembocar da revolução russa, no dia seguinte.
A luta de classes parece ser a base principal do escrito, a revolução pela avaliação o meio, e o socialismo como o paraíso na Terra, o fim.
Lidos por Eric Voegelin, o filósofo alemão provavelmente veria nisso um modo de gnosticismo, o fim seria então, dizia Voegelin, imanentizar o ESCATON, não por meio de uma drástica e armada revolução que acabasse todos os problemas por meio da “revolução bolchevique”, mas ao invés disso por meio de uma revolução mais sutil feita de “avaliações emancipatórias”.

Avaliação e projeto da SAE

Os mecanismos avaliatórios do projeto tem, entre outros fins, o de encontrar no sistema educacional, i) aquelas escolas em que os alunos não aprendem, ii) os alunos que mesmo numa boa escola não aprendem e iii) aqueles alunos para as quais a escola comum é um freio dados seus talentos.
Cada tipo de avaliação teria então um fim diverso.
O primeiro tipo teria como finalidade melhorar por meio de intervenção uma escola que está condenando o conjunto dos seus alunos ao fracasso pessoal futuro como cidadão, pessoa, pai ou mãe, trabalhador ou intelectual.
O segundo tipo teria por fim encontrar aqueles alunos que mesmo com um bom sistema escolar e educacional não reúnem as condições cognitivas que permitissem acompanhar, devidamente, o ritmo do ensino.
O terceiro, por sua vez teria por finalidade encontrar talentos em destaque, aquela parcela genial da população em que se encontram os Newtons, Darwins, Perelmans ou Mozarts e Picassos. Aqueles sujeitos para quem a escola comum não passa de um estorvo ou freio.
Cada sistema de avaliação permitiria um tipo diverso de intervenção modificadora da atitude e prática que seriam os culpados pelo atraso.
No segundo a intervenção se relacionaria com a correção em um sistema alternativo de ensino de problemas cognitivos, os que se relacionam a ordem ou a alguma deficiência de aprendizagem, com o intuito de devolução ao sistema “convencional”.
O terceiro se relaciona por sua vez a um outro sistema educacional paralelo, nesse o objetivo seria então, dar asas as possibilidades, descobrir nossos superdotados, talentosos, gênios, e dar a eles as condições de desenvolvimento desses recursos com abertura inclusive de ascensão acadêmica, queimando etapas entre as classificações de ensino.
Penso que tais modificações são muito bem-vindas, como diz o Ministro Mangabeira Unger, “uma pessoa não pode ser condenada pelo lugar que nasceu a ser excluída ou negligenciada em seus talentos”.