terça-feira, 4 de junho de 2013

IV Encontro Nacional Evoliano

O IV Encontro Nacional Evoliano será nos dias 5, 6 e 7 de setembro em João Pessoa - PB, precisamos de contribuições de todos que puderem ajudar na realização desse novo encontro, quem puder doar qualquer quantia, entre em contato. Temos que comprar passagens e pagar hospedagens e alimentação para palestrantes convidados que não tenham se disposto a vir pelas próprias expensas, entre outros gastos como deslocamentos aqui na cidade e despesas de organização em geral. Agradeço antecipadamente a todos.

didimo.george@uol.com.br

terça-feira, 14 de maio de 2013

Geopolítica da América do Sul



por Alberto Buela




Cada vez que nos convidam a falar ou escrever sobre "América Latina" temos que fazer a ressalva em relação a essa forma espúria, universalmente difundida, de nos designarmos. De modo que propomos de entrada a questão do quid nominis, de como devemos nos denominar, como devemos ser nomeados e qual é a forma mais adequada, mais genuína, mais específica de nos nomearmos e sermos nomeados.
A expressão "América Latina" nasce com Chevallier o chanceler de Napoleão III para intervir militar e politicamente na América Ibérica em nome e defesa de la latinité.
Logo são os ianques, mais tarde a Igreja e por último o marxismo que passam a nos denominar dessa maneira.
O uso ideológico do termo salta à vista como evidente, pois o Canadá francês, a Guiana e Martinica nunca foram incorporados formando parte da "América Latina" quando assistiriam razões iguais ou melhores para que o fossem.
Isso mostra que na ordem internacional onde a geopolítica, as relações internacionais, a estratégia e a metapolítica jogam todas as suas fichas não existe nem a boa vontade nem as idéias neutras, o que existem são relações de poder: de mando e obediência, de público e privado e de amigo-inimigo. Assim pois, desconfiar das denominações ad hoc das instituições ou espaços internacionais é um princípio de saúde metodológica de todo investigador que nessa ordem se estime como tal.
Hoje não se pode entender a geopolítica sem a metapolítica, isto é, a disciplina que estuda as grandes categorias de pensamento que condicionam a ação política dos governos da vez. E por isso preferimos a denominação, para nosso espaço geopolítico de "América Ibérica", pois o termo designa de forma clara e precisa, a especificidade da ecúmene cultural a que pertencemos os americanos hispano-lusos de toda América e porque o termo América Ibérica involucra, de forma plena e sem dúvidas, o Brasil.
Hoje, já começando a segunda década do século XXI, falar de "latinidade" é uma rêmora. É um universalismo a mais como o de "humanidade", não nos diz nada. É uma categoria geopolítica que funciona como um adormecimento da inteligência, pois pensar a partir dela é uma forma de não pensar.
Assim, o realismo político nos obriga a nos limitarmos e nos circunscrevermos à América do Sul. Em primeiro lugar porque o México tem assinado e em execução o tratado de livre comércio com os Estados Unidos que compromete toda sua economia e suas decisões políticas. Enquanto a América Central e o Caribe, salva a exceção de Cuba, se encontra enfeudada em sua totalidade com a política exterior norteamericana e sua dependência em relação à potência talassocrática é quase absoluta. De modo tal, que a única possibilidade de pensar um espaço geopoliticamente verossímil é a América do Sul. E aqui nos introduzimos no tema de nossa apresentação.
Os dados objetivos que possuímos da América do Sul é que constitui um espaço geográfico contínuo que abarca 17,8 milhões de km², o dobro da Europa e o dobro dos Estados Unidos. Tem uma população de aproximadamente 420 milhões de pessoas, que falam por metades o castelhano e o português, duas línguas entendíveis entre si.
Dez são as nações que a dividem politicamente e quatro enclaves coloniais (as ilhas Malvinas e Guiana que formam parte da Commonwealth britânica, Suriname da Holanda e Guiana Francesa da França. Todos juntos não chegam a 1,5 milhões de habitantes).
O país mais poderoso é o Brasil com quase metade dos habitantes do subcontinente, que possui a oitava economia do mundo com PIB (Produto Interno Bruto) de 1.600.000 milhões de dólares enquanto Argentina e Venezuela seguem com 330 mil milhões de dólares cada um.
Possui 27% da água doce do mundo. Conta com o aquífero Guerani e com 50.000 km de vias navegáveis internas que unem as três bacias hídricas: Orinoco, Amazonas e o Prata. Sua projeção sobre a Antártida abarca todo o quadrante sulamericano que inclui a totalidade da península.

Interpretação Geopolítica
A América do Sul constitui uma ilha continental rodeada pelos Oceanos Pacífico e Antártico que possui 25.432km de costas. É um espaço terrestre de difícil acesso, que tem o Amazonas como heartland sulamericano, que abarca quase 2 milhões de km² que compartilham quatro países (Brasil, Colômbia, Venezuela e Peru).
Este difícil acesso obrigou os Estados Unidos a rodeá-lo com bases militares para poder controlá-lo (Arauca, Larandia e Três Esquinas na Colômbia, Iquitos e Nanay no Peru, Marechal Estigarribia no Paraguai e Curaçao a 50km da Venezuela).
Como suporte teórico-ideológico lançaram a "teoria da soberania limitada do Amazonas" propondo uma tutela internacional, tese sustentada pela diplomacia sueca. Brasil, Venezuela, Argentina e Bolívia a rechaçaram de plano.
Essa característica de impenetrabilidade do heartland sulamericano marca toda sua história política desde a descoberta da América. E assim, todas as suas grandes cidades (Buenos Aires, São Paulo, Rio de Janeiro, Valparaíso, Lima, etc) são portuárias à diferença da Europa que são mediterrâneas. É que o povoamento da América do Sul se foi realizando por toda a costa dessa grande ínsula. Sua marcha tem sido da periferia ao centro. Centro que ainda hoje, na segunda década do século XXI, não foi ocupado.
Se a tese de Mackinder (1861-1947) "quem ocupe o heartland detém o poder" for verdade, no caso da América do Sul ninguém o possui de forma hegemônica, pois ninguém tem plenamente o manejo do Amazonas.
O Caso Brasileiro
É indubitável que o Brasil, potência emergente mundial, tem como Estado-Nação o maior peso econômico da região como o denota seu PIB com seu oitavo lugar na economia do globo.
Seus últimos movimentos na ordem internacional o mostram como uma futura potência ativa: a) Integra o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), grupo privilegiado de grandes espaços estatais; b) O grupo dos quatro junto com Índia, África do Sul e Alemanha reclamando um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas; c) A Unasul (União de Nações do Sul) junto com o resto dos países da América do Sul; d) O grupo do G20 com os Estados de maior produção de riqueza; e) O G5 junto com México, África do Sul, China e Índia, grupo de potências emergentes; f) O pacto turco-brasileiro de diálogo com o Irã, em substituição da teoria da demonização do governo iraniano proposto por EUA-Israel.
Militarmente acaba de comprar o primeiro submarino nuclear à França e espera produzir oito submarinos nucleares mais, à imitação do francês, nos próximos cinco anos. Seu orçamento militar foi de 10.000 milhões de dólares em 2010, similar ao da Colômbia, contra 3.200 milhões do argentino.
É de destacar como tem feito notar os investigadores brasileiros (Moniz Bandeira, Guimarães et alii), que a maior hipótese de conflito que se apresenta ao Exército do Brasil é com uma superpotência em terreno florestal (vgr. O Amazonas).
A América do Sul Hispana
Conforma os outros 50% da América do Sul e está composta por nove nações que alcançam em habitantes, em Forças Armadas e em PIB ao bloco unitário brasileiro.
Se destacam em primeiro lugar o poderio militar colombiano de terra e o chileno de mar. Se tem produzido desde a assunção de Hugo Chávez um rearmamento da Venezuela, fundamentalmente russo. Fuzis automáticos para guerra de baixa intensidade, aviões e helicópteros. Por outro lado a Argentina desde a derrota da guerra das Malvinas em 1982 tem adotado a tese da inexistência de conflitos internacionais e da diplomacia desarmada. Enquanto Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru e Equador carecem de peso específico na matéria.
Chile é o único país da América do Sul que integra o seleto grupo dos vinte primeiros países no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) na estatística das Nações Unidas.
A Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e o principal provedor de refinado em forma de naftas aos Estados Unidos.
Nas últimas duas décadas se produziu na Bolívia, Chile, Peru, Argentina e Equador o auge da mineração extrativa a céu aberto que está produzindo, ademais de prejuízo econômico, mudanças e danos terrestres irreparáveis.
A Relação entre os Dois Blocos
Desde o ano 1992 se repetem anualmente as Cúpulas Iberoamericanas que realizam conjuntamente com Espanha e Portugal os dez países sulamericanos porém cujos resultados tem sido mais declamativos que efetivos. Não se pôde superar a teoria da boa vizinhança para poder passar à conformação de um grupo de poder mundial homogêneo que compartilha língua, religião, instituições, usos e costumes.
Em 1991 se criou o Mercosul (Mercado Comum do Sul) cujos sócios fundadores foram Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que tem Bolívia e Venezuela em processo de incorporação e Chile, Colômbia e Equador como países associados.
Porém após vinte anos o Mercosul se reduziu a uma união aduaneira utilizada, acima de tudo, pelas burguesias comerciais de São Paulo e Buenos Aires.
O outro nexo entre os dois blocos, o hispano e o lusitano, é a mencionada Unasul que entrará plenamente em vigência em janeiro de 2011 e o Conselho de Defesa Sulamericano que entrará em vigor por eses anos e cuja sede será Buenos Aires.
Temos logo o Banco do Sul, proposta de Hugo Chávez realizada em 2004, porém nascida morta já que seu capital inicial se fixou na soma irrisória de 7.000 milhões de dólares, quando o Banco do Brasil tem ativos de 407.000 milhões de dólares e o Banco Itaú de São Paulo por volta de 350.000 milhões de dólares.
Existe entre Argentina e Brasil um tratado que obriga a uma reunião de ministros a cada 45 dias e a uma reunião de presidentes a cada três meses, porém ditas reuniões se encontram limitadas a equilibrar os termos do intercâmbio comercial para que nenhuma das duas economias se encontre prejudicada.
O Caso Argentino
A que foi a segunda Armada do mundo em 1890 passou a não existir, e a que foi em 1910 a décima primeira economia do mundo retrocedeu ao lugar número vinte um século depois. A estrutura das exportações argentinas está bastante equilibrada, pois sua composição é: Combustíveis 12%, Indústria 31%, Agro 34%, Primários 23%. O motor de sua economia segue sendo o agronegócio com seus grãos e carnes porém o desenvolvimento de sua indústria leve o está alcançando. O danoso é que a mineração, que não produz nenhum desenvolvimento posterior por ser uma atividade meramente extrativa, haja alcançado nessa última década porcentagens de exportação tão altos.
O segundo aspecto onde se destaca é no desenvolvimento nuclear, que é considerado dentro dos padrões mundiais como um dos mais desenvolvidos. A investigação nesse campo se vem realizando de forma contínua desde 1950. A produção de reatores nucleares de fabricação própria (Carem) são demandados em todo o mundo: Austrália, Argélia, Peru, Egito, Irã.
A agroindústria e a produção nuclear são os dois traços específicos da produção de riqueza argentina.
Existe finalmente um terceiro fator positivo que pode aportar Argentina e que não está contemplado nas estatísticas econômicas: o fator humano, que se destaca por sua profundidade de análise, rapidez na captação e execução. Vivaz, criador e engenhoso. Orgulhoso de si e de seu lugar no mundo, ignora a capitis diminutio aos "outros".
Perspectiva Geopolítica da América do Sul
Afirma Hegel em sua Introdução à Filosofia do Direito que a coruja de Minerva (símbolo da filosofia) sai a voar ao entardecer, quando a realidade já se pôs. Já se escondeu o sol. De modo tal que é muito difícil realizar prognósticos desde a filosofia sobre coisas humanas, não obstante isso e com essa ressalva vamos tentar.
Brasil e Argentina são o eixo sobre o qual deve girar toda a geopolítica da América do Sul. Essa tem que tender à formação de um losango irregular que uma em linhas de poder as capitais de Brasília, Buenos Aires, Lima e Caracas para proteger o heartland sulamericano.
O princípio da integração deve ser: dado que o Brasil tem cinco vezes a economia da Argentina, as contribuições se devem realizar nessa proporção. A integração é proporcional e não em pé de igualdade. A igualdade é, nesse caso, a primeira fonte de injustiças.
Brasil e Argentina tem que criar antes de qualquer coisa uma moeda comum (o austral) que outorgue solidez a suas economias em relação ao dólar e ao euro. E ao mesmo tempo criar uma companhia exportadora de grãos para evitar o condicionamento do mercado de Chicago.
Devem seguir para a formação de uma força marítima comum para o controle do mar territorial e do extenso litoral atlântico. Evitar o saque que se está produzindo no Atlântico Sul é compartilhar de um espaço de soberania comum. Não é um ponto de fricção senão um ponto de união. O Pacífico Sul é controlado pelo Chile que possui uma magnífica e bem treinada força naval e complementado por Peru e Colômbia.
A navegação dos rios interiores, a construção de um grande oleoduto, rotas aéreas diretas intercapitais, a recuperação dos trens interiores, habilitação dos canais bioceânicos mistos, o desenvolvimento tecnológico complementar onde cada Estado aporta o melhor de seu desenvolvimento.
A construção de um espaço geopolítico autocentrado é possível e está ao alcance da mão, o que sucede é que sua construção supõe a limitação dos poderes mundiais, diretos ou indiretos, na zona sulamericana.
E é aqui onde surge o problema principal. Pois para criar uma nova geopolítica regional, como para fazer um bolo, há que romper alguns ovos. Ademais a geopolítica para ser tal necessita de um elemento fundamental: o arcano.
O arcano entendido como segredo profundo e ao mesmo tempo íntimo. E disso participam muito poucos. Pode existir um arcano geo ou metapolítico entre os Estados que conformam a América do Sul sem que seja penetrado pelos serviços de inteligência do imperialismo? É uma pergunta de difícil resposta pois se dizemos que não, essa meditação não tem sentido e se afirmamos que sim, podemos cair no idealismo político que sempre tem sido mau conselheiro.
Se impõe então o "realismo político": aquele que nos permite assumir com um certo ceticismo os projetos teóricos, porém não por isso deixá-los de pensar e tentar realizá-los. O realismo político é o que incorpora, trabalha e põe toda sua confiança na racionalidade estratégica para lograr os bens e satisfazer os interesses da comunidade ou povo que melhor desenvolva sua estratégia. Nesse caso, essa que propomos aqui.
*Publicado originalmente no Blog Legio Victrix

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Venda dos livros

Ainda há livros a venda(poucos exemplares)

A Grande Guerra dos Continentes        25,00
Teoria do Mundo Multipolar                 30,00
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Contato pelo e-mail didimo.george@uol.com.br.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O Conservadorismo revolucionário: perpétua actualidade

Por Alexander Dugin



O conservadorismo tradicional: fracasso, erigido em valor
Todos os conservadores têm um destino trágico – necessariamente perdem. Esforçando-se por contrariar a novidade, que se considera (na maior parte das vezes justificadamente) como negativa, hereje, quase traidora das tradições e pilares antigos, eles estão condenados a perder batalha após batalha, pois o próprio tempo se encontra do outro lado da barricada. Parece que a posição dos conservadores tradicionalistas é, no fim de contas, apenas uma atitude estética, trágica, embora muito atraente, um certo gesto brilhante, mas notoriamente condenado ao fracasso.
Mais do que isso, a tenacidade dos conservadores na fidelidade ao que é antigo, está também, em determinado sentido, na posse dos seus antagonistas progressistas e modernistas de todos os tipos e cores: de facto, reconhecendo o seu campo como pura resistência, como inércia, como reacção, os conservadores deixam livres as mãos a todos aqueles que oferecem um projecto renovador, independentemente do que ele seja. Por definição, os conservadores põem obstáculos a quaisquer inovações, a quaisquer inovadores. Ao projecto dos modernistas opõem não o seu próprio plano, mas a total ausência de plano.
A essência da posição dos conservadores consiste em tudo deixar como era, como é. Isto, naturalmente facilita seriamente o trabalho daqueles que tudo querem mudar. Na verdade, o enorme estrato social, representado pelos conservadores, mete-se entre parênteses na discussão ou realização de novos programas, notoriamente recusando-se a apresentar o seu próprio projecto, o que seriamente reforça a concorrência e permite analisar com mais atenção o lado substancial do que os modernistas propõem.
A circunstância da fatal condenação do conservadorismo tradicional, e a sua involuntária e inconsciente cumplicidade com o campo progressista, já há muito foram notados pelos mais perspicazes pensadores conservadores, que tentaram compreender a razão dos seus constantes insucessos. A começar por Louis de Bonald (1754-1840), Joseph de Maistre (1753-1821), Donoso Cortés (1809-1893) e os eslavófilos russos, os conservadores começaram a questionar-se quanto seriam eles culpados dos seus próprios fracassos históricos e da fatal vitória do campo revolucionário oposto, que atribuía a si mesmo essa vitória, a contradição da qual e a reacção à qual eram, na realidade, um fenómeno da frente conservadora.
Assim nasceram os primeiros traços da especial versão do conservadorismo, os quais foram em conjunto designados pelo eslavófilo Samarin “conservadorismo revolucionário”. A princípio dizia-se que o campo conservador devia ser mais radical nos seus actos, e antepor-se ao discurso dos “nihilistas” e dos “derrubadores de princípios”, imitando deles o radicalismo e o atrevimento na realização dos seus objectivos, e o maquiavelismo das tecnologias subversivas. Nos anos 20 este maior desenvolvimento no campo conservador generalizou-se e começou a ser chamado “Revolução Conservadora”, tomando para si através de Tomas Mann o termo do eslavófilo russo. Na Alemanha o movimento também assim se chamou “Revolução Conservadora”, porém, no meio russo foi designado de “eurasianismo”.
Comentário do LUSO: Em Portugal, o Conservadorismo Revolucionário foi uma realidade. A verdadeira revolução portuguesa não foi feita no 25 de Abril de 1974, mas sim no 28 de Maio de 1926. O Estado Novo, quando proclamava: “A Revolução continua”, falava verdade. Paulatinamente, Portugal ia-se transformando num país mais organizado, mais limpo, mais honrado e mais feliz. Tínhamos um território com mais de 2.000.000 km2 que era cada vez mais coeso, menos injusto e menos racista. O Ultramar progredia a olhos vistos e concomitantemente o Portugal europeu e o Portugal ultramarino eram cada vez mais unidos e reciprocamente mais identificados. A chamada “revolução do 25 de Abril” só foi revolução se entendermos esta palavra como uma volta atrás, para o “Estado Velho” da 1ª república, para a loucura, para a desordem, para a anarquia, para a falta de liberdade (em nome da liberdade), para as lutas partidárias, em que o real interesse do Povo Português é posto de lado. O Estado Novo foi o Conservadorismo Revolucionário em Portugal.
Os Paradoxos da Revolução Conservadora
O mais nítido de todos, e em maior escala, pólo autónomo do conservadorismo da Revolução Conservadora, foi o da Alemanha. Nomeadamente lá se desenvolveu toda uma plêiade de pensadores de nível planetário – Oswald Spengler (1880-1936), Carl Schmitt (1888-1985), Ernst Georg Jünger (1895-1998), Ernst von Salomon (1902-1972), Martin Heidegger (1889-1976), Artur Moeller van den Bruck (1876-1921), Ernst Niekisch (1889-1967), etc., os quais elaboraram as bases da Revolução Conservadora como mundivisão independente, muito longe dos habituais modelos do conservadorismo tradicional. A essência desta colossal revisão estava em modificar inteiramente o esquema tradicional de resistência dos “partidários das mudanças” e dos “adversários das mudanças”, esse esquema que nos três últimos séculos formulara constantemente os “direitistas” (= “conservadores”) e os “esquerdistas” (= “progressistas”). Os revolucionários conservadores propuseram-se a abordar este problema de modo completamente diferente. A modificação era inevitável, consideravam eles. As revoluções têm sob si causas orgânicas e não se reduzem ao banal “mito da conspiração”. O movimento social está historicamente predestinado, e resistir a ele é impossível. Consequentemente, deve-se falar não apenas em “conservadorismo”, mas num especial “projecto conservador”, numa dinâmica específica, política, social, cultural e económica, num progresso e numa modernização, mas só uma estrutura desta tendência deve ser diferente dos esquemas bastante gerais dos habituais “esquerdistas” e dos habituais “progressistas”, os quais, à semelhança dos conservadores, mas com sinal contrário, às duas por três, apoiam mudanças pelas próprias mudanças, um movimento pelo movimento, a revolução pela revolução.
“A revolução não precisa de ser prevenida e suprimida, mas sim encabeçada e submetida à própria vontade” – escreveu o mais aforístico revolucionário conservador Arthur Müller van den Bruck, fundador do movimento. Os projectos dos modernistas devem ser diferenciados, sistematizados, hierarquizados. Deve-se apenas eliminar os elementos “nihilistas”, apenas o ‘ressentiment’, de que escreveram tanto F. Nietzsche (1844-1900) como Max Scheler (1874-1928), ou seja, o irreflectido e cego ódio contra as fundadas hierarquias e os estabelecidos sistemas valorativos da cultura e da sociedade. Os projectos revolucionários devem integrar-se nos contextos históricos e os seus componentes orgânicos devem saudar-se e incentivar-se – pelo menos, lançar-se à luta. A tese de Nietzsche “empurra, que cai” deve ser adoptada não somente pelos destruidores, como pelos criadores: na verdade um edifício arruinado, envelhecido, ameaça soterrar sob os escombros o mais valioso – a mais alta ideia, a forma calorosa, pela qual se guia toda a criação. As paredes do templo carunchoso, ruindo, podem derrubar o altar. Para se salvar o mais sagrado, o mais substancial, o mais central devem ser aplicadas forças renovadoras, e se tal salvação exigir uma séria revisão do exterior, a recusa dos “velhos trastes”— necessário será ir também a isso.
Como os próprios conservadores revolucionários cada vez mais se afastavam do meio conservador em geral, eles aproximavam-se, e com algumas forças, do campo “esquerdista” dos progressistas. Reconhecendo em si mesmo o elemento revolucionário, eles facilmente denunciaram o elemento conservador também entre os revolucionários radicais. Assim, gradualmente se esclareceu, que a muitos progressistas convictos do regime existente, do “velho regime”, não lhes agradava de modo algum não os traços essenciais, mas os traços secundários – o espírito de burocracia, a alienação, a estagnação. Na verdade, a “ordem velha” não convinha a muitos, não porque era “ordem”, mas porque era “velha”. Por conseguinte, contra a “nova ordem” eles não tinham quaisquer objecções.
Assim surgiu o surpreendente movimento político “nem da esquerda, nem da direita”, dos “nacional-bolchevistas” ou dos partidários da “terceira via”, onde na frente geral se uniam os representantes dos campos, que tradicionalmente ocupavam lugares opostos do espectro político.
Esta tendência de formulação política perfeita não encontrou obstáculos determinados historicamente. Mas na esfera puramente teórica – e isto é o mais importante – foram encontradas novas, surpreendentemente capazes, paradoxais e precisas fórmulas, receitas, consensos que traziam em si um enorme potencial de maneiras de ver o mundo. Até modelos cerceados, comprometidos e parodiantes decalcados da “revolução conservadora” foram suficientes para que determinadas forças políticas chegassem ao poder na Itália e na Alemanha. E a pragmática utilização dos chefes dos comunistas na Rússia das estruturas nacional-bolchevistas permitiu-lhes o poder político e o controlo ideológico no decurso de cem anos sobre metade do planeta. Mais do que isso, até modelos completamente diluídos e confusos da “terceira via”, enxertados em regimes liberais (como é o caso do New Deal de Roosevelt), tiveram um efeito positivo enorme.
Comentário do LUSO: Na URSS havia os planos quinquenais, como também em Portugal durante o Estado Novo (pelo menos na sua fase de juventude e entusiasmo). Agora entre nós não há planos quinquenais (nem pode haver), mas há o plano TGV... Não se pode dizer na verdade que em Portugal a política segue na “terceira via”. Antes, parece seguir na “última via”, aquela que se mete por um túnel sem saída... 

Já há muito que bani do meu léxico as palavras “esquerdista” e “direitista”. A cisão entre uns e outros é fictícia e promove um estúpido ressentimento que ludibria o Povo Português. Salazar compreendia isto muito bem. E digo mais: se os chamados “comunistas” adoptassem a “terceira via”, zelando pelo interesse de todo o Povo Português, e não apenas pelo dos “proletários”, noção obsoleta que cheira a bafio, poderiam muito bem ter um sucesso com o qual nem sequer sonharam.
Discussão sem saída, que matou o último Império
Hoje a nossa Rússia encontra-se numa grave crise. Teve lugar uma revolução liberal, atlântica, e o regime soviético (a “velha ordem”) ruiu irreversivelmente, para que não falassem os conservadores hodiernos, no papel dos quais – como isto é paradoxal -- se apresentam os “revolucionários” de ontem, os “esquerdistas”, “progressistas” e “comunistas”. E de novo – como sempre na história – os “partidários das mudanças”, apesar da resistência dos “adversários das mudanças”, ficaram por cima. Claro que muitos deles – os mais sinceros – não ficaram contentes com tal “vitória”, à qual foram sacrificados um grande estado, uma poderosa economia, um sector social desenvolvido e uma cultura superficial mas extensiva.
Apesar de se terem justificado os piores receios dos conservadores, a fatal “perestroika” era objectivamente inevitável. A ordem soviética dos anos 80 tornara-se uma “ordem velha” em todos os sentidos e em todos os níveis. Perdera dinâmica, perdera vida interior, tornara-se decrépita e definhara espiritualmente. O projecto dos bolcheviques foi grandiosamente encarnado, mas esta encarnação atingiu os limites naturais. Era precisa uma nova onda, um novo choque revolucionário, uma nova arrancada. Sangue novo, grito apaixonado, mobilização, esforço, abalo.
Mas com o fatal sentimento de que nada havia a fazer, a discussão sobre a “perestroika” rodou apenas em volta da escolha entre “movimento para a frente” e “movimento para trás” , fosse “novo” ou fosse “velho”. Assim, sem quaisquer bases, ambos os campos estavam convencidos de que “para a frente” significava “para o modelo ocidental de mercado”, e para trás “para o socialismo de estado e para o brejnevismo”. Os conservadores (conquanto ainda tivessem para isso todas as possibilidades) não apresentaram o seu próprio projecto conservador revolucionário, e os progressistas (reformadores) claramente não explicaram o seu.
Como é habitual em tais casos, todos perderam. Aquilo que estava condenado a cair, caiu. Mas o vazio que se formou preencheram-no não novos construtores, trazendo a “nova ordem”, mas hordas de vermes, que minaram as bases da anterior estrutura.
E embora hoje a cegueira das passadas polémicas sobre a “perestroika” entre os “reformadores” e os “conservadores” seja evidente a muitos, estamos muito longe das soluções necessárias. Nomeadamente a este respeito, por exemplo, testemunha a fantástica popularidade da “teoria da conjura” em ambos os pólos da actual sociedade russa. Os patriotas estão convencidos que para tudo a resposta são os “conspiradores”, e os “liberais” em tudo vêem os frutos das manobras dos “vermelhos-castanhos”. O apelo ao mito é a operação mais simples no caso de a análise objectiva ameaçar destruir a hipótese tomada a priori, insuficientemente pensada e não criticamente ponderada, tomada como qualquer coisa evidente.
Missão: estar à frente nas reformas
A Rússia hoje precisa apenas de uma Revolução Conservadora. No mesmo lado dos esquerdistas e direitistas, modernistas e conservadores, progressistas e guardadores. Nós não nos devemos opor ao projecto e sua ausência, desenvolvimento e estagnação, mas atentamente prestar atenção a que uns o proponham na qualidade de progresso e que outros o exijam manter. Chegou o tempo da diferenciação. Modelos reles e explicações banais de tudo e de toda a “teoria de conspiração” devem ser eliminados, ultrapassados. A realidade é bastante mais complexa que os esquemas vulgares.
Será o futuro apenas do mercado? Será que a abertura da sociedade signifique apenas abertura em relação ao Ocidente? Será que o progresso material seja o único digno de imitar e adaptar? – Assim somos obrigados a perguntar aos “reformadores”. Não apenas perguntar, mas também apresentar o nosso projecto alternativo futurológico – a concepção do “pós-modernismo eurasiano”, para onde vão as doutrinas económicas alternativas ao liberalismo (e não é forçosamente excluído o marxismo), a atitude para com o gigantesco estrato das culturas antigas do Oriente, as estratégias do polirrítmico 1 progresso, do “desenvolvimento harmonioso do ser humano”, e não só da tecnosfera e do campo informático.
Seria que na sociedade soviética tudo fosse ideal? E seria que, ainda antes, a Rússia romanovista não criasse os seus coveiros? Será que o terror ideológico dos marxistas e o isolamento cultural não gerassem eles mesmos o nihilismo e levassem à rejeição da própria independência social e cultural? – Tais questões pomos nós aos “conservadores” (tanto “vermelhos” como “brancos”). Não só as pomos, como apresentamos a nossa concepção eurasiana da história russa, onde os períodos mais brilhantes serão a herança indo-europeia, o bizantinismo, o império moscovita, o Terrível, Avvakum 2, os populistas, o “citismo” (‘skifstvo’) e os nacional-bolchevistas, e os negativos – os ‘uniatas’ (grego e bielorusso), o nikonismo 3, o “europeísmo”, o regime dos Romanov, e o sovietismo dos “quadros”, burocrático, doutrinário, materialista.
À cabeça do movimento pelas mudanças radicais devem estar os zeladores da santa antiguidade – não os partidários do ontem repelente, que foi não muito melhor do que o odioso hoje, mas sim os portadores da grande memória do século de ouro, do Santo Império, da Pátria ideal, do especial continente semi-material, semi-espiritual – o Continente Russ’ 4.
Nomeadamente, os revolucionários conservadores devem encabeçar as reformas. Encabeçar e não suspender. Começar e não acabar. Nós continuamos a afundar-nos na vetustez, sufocamos sob a insuportável carga do arcaico. Isto não é a luz antiga, nativa, eterna, a luz da origem. Isto é a cintilação importuna, pegajosa, plúmbea da degeneração de ontem, dos velhos erros, dos fracassos de outrora, dos desvios passados.
O altar é mais santo do que as paredes. A essência é mais importante do que as formas exteriores.
O lugar do presente conservador é na primeira fila dos modernistas.
(Fim do capítulo)
Comentário do LUSO: Estas ideias de A.Dugin merecem ser meditadas. O verdadeiro revolucionário não é aquele que, apenas pela revolução em si e por mesquinhos interesses pessoais, sai para a rua a gritar contra os “fascistas”. O verdadeiro revolucionário é aquele que, sentindo a decadência actual, decide contribuir para a restauração da nossa identidade nacional: a moralidade, a história, a língua, a cultura popular, o nosso território, e todos os valores tradicionais nossos. Revolucionário não foi o quer fez o 25 de Abril. Esse foi ou um desgraçado, ou um insensato, ou um louco. Em qualquer caso foi um retrógrado. E tantas vezes um racista e um incompetente, iludido por um idealismo postiço e oportunista. “O altar é mais santo do que as paredes. A essência é mais importante do que as aparências”.


1 Neologismo do tradutor, tentando verter a palavra ‘mnogomêrnyi’, inexistente nos dicionários.
2 Avvakum = sacerdote do século XVII, opôs-se às reformas da Igreja, acabou por morrer na fogueira, iniciador do movimento dos “raskolniki” (cismáticos) ou “Velhos Crentes” (N. do T.)
3 De “Nikon”, patriarca adversário de Avvakum (N. do T.)
4 Há duas palavras para “Rússia” – Rossiia, a designação moderna e habitual, e Russ’, a designação histórica, espiritualizada, que evoca a antiguidade mítica (N. do T.)

Conectado com Dídimo Matos

Segue o primeiro programa do Canal: Conectado com Dídimo Matos


O programa é uma resposta breve à pergunta: O que é filosofia.

O canal vai tratar de Filosofia, Geopolítica e Tradição, nessa ordem. Primeiramente tratarei dos conceitos iniciais básicos para se entender as questões que serão tratadas posteriormente, acompanhem e assim o canal.

sexta-feira, 29 de março de 2013

terça-feira, 26 de março de 2013

Evola e o Pós-Fascismo


"O fascismo é muito pouco" (J. Evola).

Em concordância com o processo de globalização que hoje rege no planeta, o prefixo pós foi o termo utilizado para se referir às diferentes correntes de pensamento próprias de tal etapa. Conseqüentemente, se pós-modernidade significa viver plenamente o moderno em seus efeitos, livrando-lo de qualquer estéril idealismo que interfira com sua evolução, as correntes pós no plano do pensamento político tentaram aplicar tais conseqüências em seu âmbito próprio. Isso aconteceu especialmente com suas duas expressões antitéticas (que implica em antítese) seja de esquerda como de direita.

Por isso, o comunismo pós representa aquela postura que renunciou para sempre conflitantes teses tais como a luta de classes, a ditadura proletária, etc,... Para reduzir-se, por outro lado, a um fenômeno light, gramsciano (de Antônio Gramsci), reduzido a meras reivindicações sociais ou culturais que não são outra coisa que uma via reformista de adaptação ao "curso irreversível" do processo histórico e moderno. Isto é, esvaziar tal ideologia de todo espírito revolucionário e anti-burguês que pudesse haver tido em algum momento. Faltava que também o fascismo vivesse sua experiência pós, isto é, que manifestasse plenamente aqueles "vetos" (oposições) modernos também presentes em sua doutrina, já denunciadas no seu tempo por Julius Evola, em seus escritos da revista "A Torre" nos quais contrastava os dois espíritos que combatiam em seu mesmo seio, o burguês e o legionário.

O primeiro não significava outra coisa que uma simples adaptação ao sistema moderno vigente; em vez de corrigir-lo ou retificar-lo, tratava, pelo contrário, de chegar a fazer parte do mesmo. Tal espírito burguês e conformista foi o que se viu especialmente durante o primeiro fascismo, conhecido como o do "Ventennio". A guerra permitiu que esta primeira vertente abandonasse rapidamente o tanque, passando abertamente do lado do inimigo e que, por contraste, o espírito legionário se refletisse na República Social Italiana que significasse o da resistência heróica contra o incontível avanço das forças do caos soviético-norte-americanas.

Mas o fascismo pós, surgido após a queda do muro e da "morte das ideologias", hoje consiste em repudiar esta última etapa e retornar, por outro lado, em forma multiplicada ao espírito burguês antes célebre. Gianfranco Fini, ex-líder do fascismo italiano no passado século, hoje aberto aderente à ideologia pós, mostrou até quais limites pode chegar tal labor de "esvaziamento" doutrinário. Depois de ter viajado à Israel, denunciado o Holocausto, repudiado Mussolini e endossado o kipá, conseguiu alcançar ao cargo de Ministro de Relações Exteriores do governo de Berlusconi, conhecido como o Menem (de Carlos Saúl Menem Akil, presidente da Argentina; famoso pelo fracasso das suas políticas econômicas que levaram à taxa de desemprego de mais de 20 por cento e a uma das piores recessões que a Argentina já teve, e sua duvidosa manipulação das investigações do bombardeamento da comunidade judaica AMIA Center em 1994, que resultou na morte de 85 pessoas) italiano. Um de seus primeiros atos de governo foi justamente viajar para o próprio país ao qual lhe devia o reconhecimento por seus arrependimentos e adesão à ideologia pós. Ali teve a honra de ser recebido pelo ministro Sharon em pessoa. Grande foi sua surpresa diante das indicações recebidas esta vez. Muito desinibido o Primeiro Ministro advertiu, de forma peremptória, que se quer continuar contando com seu "apoio", deve impedir a difusão das doutrinas de Julius Evola.

É que o chefe do sionismo compreendeu muito bem, seguramente depois da leitura incessante de nossos comunicados, que não existe pensamento mais opositor contra o sistema hoje vigente no mundo que o qual se formulara à luz de tal corpo doutrinário. Talvez seu compreensível medo se deva à possibilidade de que, assim como o moderno pode ser negado pelo que é mais e não pelo que resulta sua conseqüência mais sombria, como o fenômeno pós, em consonância com isso se pode também negar o fascismo em suas facetas burguesas e conformistas que o convertiam em um fenômeno escasso e insuficiente.

Tal como disse Evola, somos supra-fascistas e não pós-fascistas. Somos anti-modernos e não pós-modernos.

Marcos G.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Globalização para o bem dos povos. Perspectivas da nova teoria política.


O tema da globalização, que se começou a analisar ativamente nos anos 90 do século passado, mantem a sua atualidade, fato que é comprovado pelos acontecimentos na arena mundial. Atrás das tentativas das coroporações transnacionais e de diversos projetos mundialistas se descortinam não só a sede de lucro, mas também de controle e domínio mundial. A origem é uma filosofia política que bebe nas fontes da antiga Grécia, onde originariamente se deram os dispositivos que posteriormente foram adotados e interpretados como indiscutíveis. Concordando em sua totalidade com uma série de argumentos de Jacques Derrida a respeito de que "o modelo ideal e eufórico da globalização, como um processo de abertura de fornteiras que faz o mundo mais homogênio, deve discutir-se com seriedade absoluta e extrema atenção. E isto, não só porque a homogeneização indicada - onde se levou a cabo ou assim se supõe- tem um anverso e um reverso (de risco aterrorizador, demasiado evidente para se perder tempo em sua descrição), senão porque a homogenização visível frequentemente oculta em si velhas e novas formas de desigualdade ou hegemonia (que chama-se homo-hegemonização), que devemos conhecer e reconhecê-las em sua nova fisionomia e lutar contra ela(1), nós assinalaremos apenas de passagem alguns marcos relacionados diretamente com as questões da globalização.

A primeira onda de globalizaçao se relaciona com a época dos grandes descobrimentos anterior a primeira guerra mundial. A segunda desde 1947 até 1991, é a época do mundo pós Yalta e da Guerra Fria. A terceira iniciou nos 90 e segue até o momento atual gerando uma multiplicidade de efeitos, tais como a virtualização da economia, a relocalização, a aparição de sociedades em rede. Ainda que o historiador americano Hopkins, junto com o redator da publicação "Foreign Policy" Moises Naim(2), afirmem que a globalização havia começado ja nos tempos do pré-modernismo com a migração dos povos, esta declaração - que leva em conta o significado das tradições, ritos e religiões que tinham as pessoas do pré-modernismo - não parece convincente. Quão justamente assinalou Luke Martell, examinando o espectro completo de modelos de globalização e as novas escolas e ensinamentos relacionados com ela, que a globalização neste contexto histórico não significa internacionalização(3). Vários investigadores assinalam agora que a onda inversa da globalização, com origem nos países em desenvolvimento, favorece as trocas econômicas nessas regiões e produz o desequilíbrio dos sujeitos da política mundia, e que se esta tendência se mantiver, pode levar a consequência imprevizíveis. É provável que não estejam de acordo comigo os partidários da teoria do caos e fundamentem que tais trocas são intrinsecamente inerentes a um sistema complexo e dinâmico, como o é sem dúvida qualquer estado, e tanto mais o são os blocos e as uniões. No entanto, o caos controlável pode utilizar-se também como um instrumento da globalização, do qual se valham os estrategistas do Ocidente em prol de seus interesses, coisa que propôs o diplomata americano Steven Mann nos anos 90 do século passado(4).

Nos foi necessário recordar as três ondas da globalização para permitirmos levar a cabo certa comparação com as três teorias políticas. Em um ou outro período dominaram determinadas ideologias, apoiadas não apenas na violência revolucionária, mas também em uma plataforma político-filosófica. No século passado se observava que três ideologias fundamentais se batiam entre si disputando a exclusividade e a dominação. Primeiro apareceu o liberalismo que considera como sujeito da história o indivíduo desembaraçado da complexa herança  cultural e das relações sociais. Como reação ao sistema burguês capitalista, expresso pelo liberalismo, apareceram o comunismo e o marxismo. Por último apareceu o fascismo, e o nacional-socialismo como uma versão daquele, mas foram os primeiros a desaparecer da arena internacional imediatamente após a derrota da Alemanha em 1945. Em 1991, logo depois da queda da URSS, o mundo soube da derrota da segunda teoria, que pretendia ser universal (ainda que algumas regiões, por exemplo na América Latina, o marxismo sofreu modificações e, em sua nova forma, demonstrou efetividade), e durante um tempo se impôs o triunfo do liberalismo(5). E toda esta luta das três teorias se dava no marco da época do modernismo, fato que assinalou magnificamente o filósofo de origem húngara Georg Lukacs em seu livro "O fim do século XX e o fim do modernismo".

Na atualidade, na época do pós modernismo, nós encontramos a onda da globalização relacionada com o liberalismo, o qual afirma a primazia da economia sobre as outras esferas, por tanto seria lógico tocas em alguns modelos e planos alternativos que estão do outro lado da economia, mas que a predeterminam em grande medida.

Definitivamente, entre os modelos de conduta e econômicos existe uma relação de forma inequiívoca. O "ethos" de um povo determinado, ligado a dispositivos conceituais, influi na formação de modelos de conduta social e de regime econômico. Por exemplo, a economia islâmica nega o crescimento percentual, fato que assinala o filósofo russo V. Soloviev falando sobre o princípio de " o saudável e o laboral" no Islã. Na Ortodoxia a economia, antes de mais nada, é "demostrói"(regras patriarcais). De acordo com o ensinamento cristão, as pessoas depois haverem pecado devem seguir ganhando o pão com o suor do seu rosto, "cooperam com o criador" sem duvidar de sua vontade. Semelhantes pontos de vista foram distorcidos pelo protestantismo e Max Weber(6) mostrou de forma convincente que, em grande parte, a atual economia liberal, de mercado, está construída sobre a base da ética protestante. Ernest Schumajer desenvolveu a doutrina absolutamente única da "economia budista", propondo novos princípios em relação ao trabalho e indicando justamente que "os economistas, de igual modo que outros especialistas, dofrem de cegueira metafísica"(7). Mesmo abstraindo-se das diversas crenças religiosas, contra as quais lutaram representantes de certas ideologias políticas, os arquétipos e o inconsciente coletivo permanecem. Carl Gustav Jung sintoniza com Max Weber acerca da crítica do liberalismo, ainda que o faça já como psicólogo. " O mundo sem símbolos do protestante conduz a um sentimentalismo insano no começo, logia a uma agudização dos conflitos morais"(8). A questão reside não somente nas desordens sexuais e psicológicas que analisava o cientista suiço. Os arquétipos e os símbolos se inscrevem totalmente no modelo econômico. O investigador norte americano Bernard Lietaer afirma que o atual sistema monetário e financeiro mundial está baseado no arquétipo patriarcal, donde o dinheiro é um meio de acumulação(9). Ao mesmo tempo, os demais arquétipos, faz muito tempo que se encontram deprimidos, e portanto, devido a esse desajuste, se produzem booms financeiros, bancarrotas, quedas da bolsa e demais cataclismas. No entanto, na história funcionou outro arquétipo, baseado no princípio matriarcal - Antigo Egito, Alta Idade Média etc. - onde o dinheiro atuava segundo o princípio de "demurrage" e era um meio de intercâmbio. Até o momento, por desgraça, hão há profundas investigações relacionadas com a influência dos arquétipos nas teorias econômicas heterodoxas desenvolvidas nos séculos XIX e XX, as quais são uma alternativa ao atual sistema central enraizado no projeto político concreto. Mas várias dessas teorias se apoiam em experimentos práticos, por exemplo, o projeto do dinheiro de Silvio Gesell, o qual produz um efeito colossal que influenciou diretamente no bem estar das comunidades. Os sistemas "dinheiristas" condicionais LETS(10), Time Dollar(11), WIR(12), sendo instrumentos de crédito mútuo e, naturalmente sem interesse, todavia representam um modelo maravilhoso de economia solidária dentro da sociedade.

No Japão existe a chamada "moeda de saúde", que se mede em horas de trabalho e se pode usar nos programas estatais de saúde pública. A efetividade de semelhantes sistemas foi indicada por investigadores contemporâneos. Mesmo aplicando mecanismos econômicos e bancários, no mundo há bastante exemplos de tal enfoque a respeito da distribuição de inversões e meios, o qual não se inscreve nos esquemas liberais. Por exemplo, as organizações tais como Triodos Bank(países baixos), Cultura Bank(Noruega), La Nef(França) e outras, se manipulam com princípios éticos muito claros que podem ser resumidos com a frase comum dos antiglobalistas "as pessoas são mais importantes que a ganância". Mais além disto, vários especialistas e analistas propuseram não poucos esquemas de estabilização econômica, baseada no princípio da democracia direta. Bello Walden, o analista principal do instituto Focus on Global South, de Bangkok, propõe os seguintes caminhos de superação da globalização por meio da economia:

1. A produção para o mercado interno, em lugar do externo, deverá ser novamente o centro de gravidade da economia.
2. Na economia deve dar-se o princípio da subsidiaridade.
3. A política comercial deve defender a economia local do efeito econômico destrutivo das estruturas corporativas e dos preços baixos.
4. A política industrial deve regenerar e fortalecer o setor manufatureiro.
5. As tarefas a longo prazo, destinadas a distribuição justa da renda, podem criar um mercado interno forte que assuma o papel de âncora econômica e crie recursos econômicos locais para o investimento.
6. A correção do crescimento econômico aumentará a qualidade de vida, e a maximização do enfoque objetivo diminuirá o desajuste relacionado ao meio circulante.
7. A elaboração e propagação de tecnologias ecologicamente favoráveis na industria e no agronegócio devem ser estimuladas.
8. A tomada de decisões estratégicas na economia não pode ser deixada só nas mãos de tecnocratas e marqueteiros. Pelo contrário, deve introduzir-se a possibilidade de que assuntos tais como o desenvolvimento da indústria, a cota de verba estatal destinada ao setor agrário etc., sejam produto de discussão democrática e eleições.
9. A sociedade civil deve seguir e monitorar de forma constante os setores privado e estatal. Isto deve ser institucionalizado.
10. A propriedade deve ser transformada em "economia mista", o que inclui cooperativas comunais, negócios privados e companhias estatais, mas exclui corporações transnacionais.
11. As organizações globais centralizadas do tipo FMI e Banco Mundial devem ser substituidas por outras, construídas, não segundo o princípio do livre mercado e da mobilidade do capital, mas nos princípios de uma cooperação que - nas palavras de Hugo Chavez que descrevem o projeto ALBA - "supere a lógica do capitalismo"(13).

É importante também aplicar à globalização a análise social. A metodologia de Jean Baudrilhard(14) permite observar a maneira a qual o financista e os mercados especulativos conduziram à criação de simulacros economicos que solaparam a vitalidade dos sistemas sociais. Não menos interessante é o modelo de Georges Bataille, que mostra a maneira que a competência econômica, característica do modelo liberal, está diretamente ligada ao risco da guerra. O sociólogo francês aponta que o excesso de energia, que se transforma em riqueza, deve ser gasto no desenvolvimento do sistema. De outro modo, se a energia não é extraída a tempo, infalivelmente se usa para produzir catástrofes. Ao tema que investigamos devemos agregar o fato dos entusiastas da globalização, dos EUA a Europa Ocidental, subscreverm que a interação estreita entre países e povos, que propiciem os processos de unificação de padrões e homogeneização de culturas, deve conduzir a menor probabilidade de conflitos; no entanto, a aparição de novos modelos levou a noas formas de guerra(15). E agora o sujeito ativo dos conflitos resultam ser não só os estados, mas também as corporações transnacionais, as ONG, as uniões religiosas, os agrupamentos criminosos e os partidos políticos. A Bellum Omnium contra Omnes de Hobbes se propagou por todo o mundo, tanto que os EUA pretendem exercer a função de Eatado absoluto - Leviatã.

Na crise do atual sistema liberal, da qual é testemunha a crise financeira de 2008, o reconhecimento de suas inadequação por parte de reconhecidos economistas, e as iniciativas de uma série de países quanto a reformar a ordem mundial, corresponde a mudança de enfoque das ciências que afetam a formação da comovisão da elite futura para práticas socio-culturais que, mais além de sua importância, durante muito tempo não recebeu atenção por parte da grande política. A crise ecológica que se acerca, que se dá sobre um fundo de crescimento da autoconsciência política de diversos povos aborígenes - quem ante havia sido separado da tomada de decisões (desde o socialismo boliviano de Sumac Kawsay com os projetos indigenistas latinoamericanos, até as tentativas dos povos africanos de se libertarem do escravismo neoliberal) - também pode contribuir para esses processos. A mudança de raciocínio deve ser complexa, com uma ativação das camadas arquetípicas que permita a atrofia das velhas memorias e a instalação de uma nova ordem mundial onde, num marco de florecente complexidade, se co-desenvolvam sociedades de abundância estável.

Tal como já indicamos no começo, há uma certa quantidade de dispositivos filosóficos que fixaram uma determinada direção no desenvolvimento das ciências, as quais foram tomadas como algo rígido que não pode ser submetido à crítica. O paradigma científico do iluminismo elaborou um racismo gnosiológico euro-ocidental que se projetou sobre outros povos, países e continentes, Aqu também pode tomar-se em conta o fato de que o corpus da filosofia da antiga Grécia chegou a Europa ocidental através do mundo arábico, e que foi submetido a distorções, mas que poucos foram os que se arriscaram a repensar as bases da existência. Sobre isto, é um exemplo, a herança de Martin Heidegger, mas, além de sua relativa complexidade, podem servir de base, a ótica da desconstrução para dissipar as estratificações especulativas e os envelhecidos mecanismos de construção socio-política.

Se pode dizer, a guisa de conclusão, que depois das três teorias políticas(liberalismo, marxismo e fascismo) e depois das tês ondas de globalização(substituição de três sociedades - tradição, modernismo e pós-modernismo, e também de modelos econômicos) se faz indispensável a elaboração de uma nova teoria política que produza uma nova onda, qualitativamente distinta das precedentes, onde o sujeito ativo fundamental sejam os povos do mundo. Enquanto que, é importante a formação de uma oposição e um movimento que se baseie no princípio"anti", e a elaboração de um anti-credo construtivo que, segundo o pensamento de Zbigniew Brzezinski, possa destruir o domínio global dos EUA(16). Nesta teoria, ou como a chama o filósofo francês Alain de Benoist "o quarto nomos da Terra"(17), os sujeitos da história dever os povos em seu processo puro de existência, com toda a riqueza de suas relaçõesculturais mútuas, tradições, especificidades étnicas e cosmovisões. Em cujo caso os modelos alternativos e as tentativas de muitos analistas, especialistas e opositores da globalização ocidental (que tem nos EUA sua cabeça) poderão encontrar uma extensa aplicação.

Por Leonid Savin.
Tradução do Espanhol: Dídimo Matos

[1] Деррида Жак. Глобализация, мир и космополитизм. Космополис № 2 (8), М., 2004, с. 126.
[2] Naim, Moises. Think Again: Globalization, Foreign Policy, March/April 2009.
[3] Martell, Luke. The Third Wave in the Globalisation Theory. International Studies Review, 9, 2, Summer 2007, p 177.
[4] Mann, Stiven. Theoty of Chaos and Strategic Thought, Parameters, Vol. XXII, Autumn 1992, p.62
[5] Дугин Александр. Четвертая политическая теория. – СПб: Амфора, 2009. С.10-11.
[6] Вебер Макс. Протестантская этика и дух капитализма. -Ивано-Франковск: Ист-Вью, 2002.
[7] Schumacher E.F., Small Is Beautiful: Economics as if People Mattered. Anthony Blond Ltd., London, 1973.
[8] Юнг Карл Густав, Фуко Мишель. Матрица безумия. – М.: Эксмо, 2007. С.99
[9] Лиэтар Бернар. Душа денег. – М.: Олимп:АСТ:Астрель, 2007.
[10] http://ru.wikipedia.org/wiki/LETS
[11] http://www.timebanks.org/
[12] http://www.wir.ch/index.cfm?DC86BF333C1811D6B9950001020761E5&o_lang_id=1
[13] Bello Walden B. The Virtues of Deglobalization. http://www.fpif.org/fpiftxt/6399
[14] См. Бодрийяр Жан. К критике политической экономии знака. – М.: Библион, 2004; Символический обмен и смерть. – Томск: Добросвет, 2009;
[15] Батай Жорж. Проклятая часть. – М.: Ладомир, 2006, с. 116-118.
[16] Бжезинский Збигнев. Выбор. Мировое господство или глобальное лидерство. – М.: Международные отношения, 2004. С. 198.
[17] Бенуа, Алан де. Против либерализма. К четвертой политической теории. – СПб.: Амфора. С.18

segunda-feira, 11 de março de 2013

Fim da promoção

A promoção dos livros acabou, mas os preços podem ser negociados com descontos e isenção de frete para kits com os livros que ainda temos, os preços se encontram no post anterior.