Por Dídimo
Matos
À
leitura dos autores clássicos da Educação, com exceção de algum tipo para
Luckesi, a impressão que se tem nalguns momentos é de que foi um texto escrito
por Lênin para o desembocar da revolução russa, no dia seguinte.
A
luta de classes parece ser a base principal do escrito, a revolução pela
avaliação o meio, e o socialismo como o paraíso na Terra, o fim.
Lidos
por Eric Voegelin, o filósofo alemão provavelmente veria nisso um modo de gnosticismo,
o fim seria então, dizia Voegelin, imanentizar o ESCATON, não por meio de uma
drástica e armada revolução que acabasse todos os problemas por meio da
“revolução bolchevique”, mas ao invés disso por meio de uma revolução mais
sutil feita de “avaliações emancipatórias”.
Avaliação e projeto da SAE
Os
mecanismos avaliatórios do projeto tem, entre outros fins, o de encontrar no
sistema educacional, i) aquelas escolas em que os alunos não aprendem, ii) os
alunos que mesmo numa boa escola não aprendem e iii) aqueles alunos para as
quais a escola comum é um freio dados seus talentos.
Cada
tipo de avaliação teria então um fim diverso.
O
primeiro tipo teria como finalidade melhorar por meio de intervenção uma escola
que está condenando o conjunto dos seus alunos ao fracasso pessoal futuro como
cidadão, pessoa, pai ou mãe, trabalhador ou intelectual.
O
segundo tipo teria por fim encontrar aqueles alunos que mesmo com um bom
sistema escolar e educacional não reúnem as condições cognitivas que
permitissem acompanhar, devidamente, o ritmo do ensino.
O
terceiro, por sua vez teria por finalidade encontrar talentos em destaque,
aquela parcela genial da população em que se encontram os Newtons, Darwins,
Perelmans ou Mozarts e Picassos. Aqueles sujeitos para quem a escola comum não
passa de um estorvo ou freio.
Cada
sistema de avaliação permitiria um tipo diverso de intervenção modificadora da
atitude e prática que seriam os culpados pelo atraso.
No
segundo a intervenção se relacionaria com a correção em um sistema alternativo
de ensino de problemas cognitivos, os que se relacionam a ordem ou a alguma
deficiência de aprendizagem, com o intuito de devolução ao sistema
“convencional”.
O
terceiro se relaciona por sua vez a um outro sistema educacional paralelo,
nesse o objetivo seria então, dar asas as possibilidades, descobrir nossos
superdotados, talentosos, gênios, e dar a eles as condições de desenvolvimento
desses recursos com abertura inclusive de ascensão acadêmica, queimando etapas
entre as classificações de ensino.
Penso
que tais modificações são muito bem-vindas, como diz o Ministro Mangabeira
Unger, “uma pessoa não pode ser condenada pelo lugar que nasceu a ser excluída
ou negligenciada em seus talentos”.
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