terça-feira, 26 de março de 2013
Evola e o Pós-Fascismo
"O fascismo é muito pouco" (J. Evola).
Em concordância com o processo de globalização que hoje rege no planeta, o prefixo pós foi o termo utilizado para se referir às diferentes correntes de pensamento próprias de tal etapa. Conseqüentemente, se pós-modernidade significa viver plenamente o moderno em seus efeitos, livrando-lo de qualquer estéril idealismo que interfira com sua evolução, as correntes pós no plano do pensamento político tentaram aplicar tais conseqüências em seu âmbito próprio. Isso aconteceu especialmente com suas duas expressões antitéticas (que implica em antítese) seja de esquerda como de direita.
Por isso, o comunismo pós representa aquela postura que renunciou para sempre conflitantes teses tais como a luta de classes, a ditadura proletária, etc,... Para reduzir-se, por outro lado, a um fenômeno light, gramsciano (de Antônio Gramsci), reduzido a meras reivindicações sociais ou culturais que não são outra coisa que uma via reformista de adaptação ao "curso irreversível" do processo histórico e moderno. Isto é, esvaziar tal ideologia de todo espírito revolucionário e anti-burguês que pudesse haver tido em algum momento. Faltava que também o fascismo vivesse sua experiência pós, isto é, que manifestasse plenamente aqueles "vetos" (oposições) modernos também presentes em sua doutrina, já denunciadas no seu tempo por Julius Evola, em seus escritos da revista "A Torre" nos quais contrastava os dois espíritos que combatiam em seu mesmo seio, o burguês e o legionário.
O primeiro não significava outra coisa que uma simples adaptação ao sistema moderno vigente; em vez de corrigir-lo ou retificar-lo, tratava, pelo contrário, de chegar a fazer parte do mesmo. Tal espírito burguês e conformista foi o que se viu especialmente durante o primeiro fascismo, conhecido como o do "Ventennio". A guerra permitiu que esta primeira vertente abandonasse rapidamente o tanque, passando abertamente do lado do inimigo e que, por contraste, o espírito legionário se refletisse na República Social Italiana que significasse o da resistência heróica contra o incontível avanço das forças do caos soviético-norte-americanas.
Mas o fascismo pós, surgido após a queda do muro e da "morte das ideologias", hoje consiste em repudiar esta última etapa e retornar, por outro lado, em forma multiplicada ao espírito burguês antes célebre. Gianfranco Fini, ex-líder do fascismo italiano no passado século, hoje aberto aderente à ideologia pós, mostrou até quais limites pode chegar tal labor de "esvaziamento" doutrinário. Depois de ter viajado à Israel, denunciado o Holocausto, repudiado Mussolini e endossado o kipá, conseguiu alcançar ao cargo de Ministro de Relações Exteriores do governo de Berlusconi, conhecido como o Menem (de Carlos Saúl Menem Akil, presidente da Argentina; famoso pelo fracasso das suas políticas econômicas que levaram à taxa de desemprego de mais de 20 por cento e a uma das piores recessões que a Argentina já teve, e sua duvidosa manipulação das investigações do bombardeamento da comunidade judaica AMIA Center em 1994, que resultou na morte de 85 pessoas) italiano. Um de seus primeiros atos de governo foi justamente viajar para o próprio país ao qual lhe devia o reconhecimento por seus arrependimentos e adesão à ideologia pós. Ali teve a honra de ser recebido pelo ministro Sharon em pessoa. Grande foi sua surpresa diante das indicações recebidas esta vez. Muito desinibido o Primeiro Ministro advertiu, de forma peremptória, que se quer continuar contando com seu "apoio", deve impedir a difusão das doutrinas de Julius Evola.
É que o chefe do sionismo compreendeu muito bem, seguramente depois da leitura incessante de nossos comunicados, que não existe pensamento mais opositor contra o sistema hoje vigente no mundo que o qual se formulara à luz de tal corpo doutrinário. Talvez seu compreensível medo se deva à possibilidade de que, assim como o moderno pode ser negado pelo que é mais e não pelo que resulta sua conseqüência mais sombria, como o fenômeno pós, em consonância com isso se pode também negar o fascismo em suas facetas burguesas e conformistas que o convertiam em um fenômeno escasso e insuficiente.
Tal como disse Evola, somos supra-fascistas e não pós-fascistas. Somos anti-modernos e não pós-modernos.
Marcos G.
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